Moisés Diniz *
A minha adolescência e parte da minha juventude, eu passei dentro de uma congregação religiosa. Os dias mais substantivos da minha vida. E o que tem a ver a minha adolescência religiosa com “as boas intenções de que o inferno está cheio”?
Apesar de abraçar uma fé, uma visão de mundo que não se testa, imaterial, intangível, pós-morte e espiritual, os nossos dias eram integrais, fecundos e ocupados por muita leitura e suor nas hortas e nas quadras de futebol.
Isso significa dizer que, enquanto a gente buscava ver a face secreta de Deus, na sua infinita espiritualidade, nós tínhamos que enfrentar problemas humanos, concretos e cotidianos.
Os pequeninos e terríveis piuns nas hortas, o sol escaldante, o frio nos banhos das 5 horas da madrugada e ainda enfrentávamos uma sexualidade reprimida em pleno vigor juvenil.
Ainda lembro que, uma vez por semana, substituíamos o leite por chá de capim santo (Cymbopogon citratus) no jantar, com pão, farofa de ovos e verdura colhida de nossa própria horta.
Nossos superiores diziam que era um ato de desprendimento material, vinculado ao nosso futuro voto de pobreza que, junto com a castidade e a obediência, nos tornavam verdadeiros discípulos de Jesus.
Mas tarde, meio como desencanto, descobri que aquele chá servia para refluir nossos instintos sexuais, com as suas propriedades febrífugas, sudoríficas, analgésicas, calmantes, antidepressivas, diuréticas e expectorantes. Um excelente chá para acalmar o fogo da juventude.
Quando leio agora os horrores praticados por sacerdotes na Europa e nos Estados Unidos, eu fico consternado e lembro daquele tempo em que, para controlar a nossa sexualidade, era preciso beber chá de capim santo como se fosse um suplício.
Da vasta literatura que tive acesso, ainda lembro das biografias de veneráveis e santos da Igreja que venciam os dias e as noites com seus instrumentos de autoflagelo, de martirização do corpo.
Eles sonhavam em se aproximar da perfeição espiritual de Jesus, capaz de enfrentar as dores inimagináveis da cruz, instrumento de suplício que deu origem ao cristianismo.
Asssim, os religiosos buscavam formas diversas de combater e abater a sua sexualidade. Somente quem viveu aquela experiência, como uma passagem secreta entre o inferno e o céu, pode julgar o que se passa de dor, de desejo, de culpa e de aflição dentro dos muros dos mosteiros e dos conventos.
O que esses padres fizeram com aquelas crianças é tão hediondo que nenhuma punição terrena os alcançará. Como eles devotaram as suas vidas na busca pela salvação, a maior dor que eles sentirão será o fogo eterno da perdição no mais profundo dos infernos.
Então, eles sentirão a dor daquelas crianças, o seu desespero e a sua aflição infantil. Será o momento desses vermes de vestes brancas perceberem o sofrimento daquelas crianças surdas e mudas, daqueles meninos órfãos.
Eu que vivi aqueles anos dentro de uma casa religiosa, sei que esses padres nunca mais terão paz, os vivos e os mortos. A sua consciência os acordará nas madrugadas para ouvir o choro silencioso daquelas crianças. Eles não verão o rosto de Deus.
De parte da sociedade, das forças vivas do mundo laico, cabe exigir cadeia para esses padres. Que todo novo seminarista saiba, depois dessas punições da justiça dos homens, que nenhum crime de pedofilia ficará impune dentro dos mosteiros e dos conventos.
Quanto à Igreja em si, caberá discutir questões internas milenares, como o celibato e o controle social das atividades religiosas. Há verdadeiros tabus nessas questões e somente a Igreja será capaz de vencê-los.
Em 1123, foi declarada a nulidade de casamentos de padres. Mulheres, animais fêmeas, adolescentes belos e até instrumentos musicais foram proibidos nos mosteiros, a fim de diminuir a tentação aos religiosos.
Há opiniões para todos os gostos sobre a influência do celibato na consecução desses crimes de pedofilia. O que se destaca é a quantidade de casos cometidos por padres celibatários e o tempo em que esses crimes ficaram acobertados.
Quanto ao celibato, não entraremos no mérito do debate, por sua profundidade e suas ditas razões teológicas. Ficaremos na questão da ‘cultura do silêncio’ que envolve esses crimes.
A Igreja não pode continuar escondendo crimes contra crianças e achando que ela mesma será capaz de punir os seus padres pedófilos. Já provou que não é capaz, que padece nas mãos do corporativismo santo e do silêncio dos muros religiosos.
A sociedade precisa ter instrumentos de controle da atividade religiosa, porque a busca de Deus se dá através do corpo humano e de seus instrumentos físicos. Enquanto esses padres falavam o nome de Deus na homilia, eles abusavam de crianças nos fundos da sacristia.
O que a sociedade não pode e nem deve controlar é a profissão de fé das nossas igrejas. Esse é o sentimento que se reflete nas centenas de artigos e ensaios que brotam da indignação de cristãos e não cristãos.
Eles exigem um posicionamento mais explícito do Papa Bento XVI e dos seus cardeais. Eles precisam deixar claro que, além das punições aos padres pedófilos, a Igreja não permitirá mais esses crimes silenciosos dentro de seus muros sacrossantos. Esse é o clamor que se ouve nas redações dos jornais, nas escolas e universidades e nos grupos que formam opinião.
Mas, também ouvimos um clamor menor, não menos importante ou sólido. Não aceitaremos que os crimes desses padres pedófilos sejam usados para julgar a Igreja.
As conquistas milenares da Igreja Católica aqui no Ocidente não podem ser destruídas junto com esses crimes. Os padres pedófilos devem ser punidos e segregados do nosso convívio e os milhares de padres e religiosos, que não têm nada a ver com essa lama, devem ser respeitados e apoiados na sua fé e na sua opção de vida.
Milhões de crianças pobres e doentes, pelo mundo afora, foram protegidas, alimentadas, educadas e salvas por esses homens e essas mulheres, nos seus mosteiros, nas suas escolas e nos seus conventos. Eles dedicaram as suas vidas consagradas à vida frágil e pequenina do seu semelhante.
Mulheres pobres, mulheres prostituídas, povos indígenas segregados, ciganos, sem-terras e sem-tetos, sem-empregos e moradia, sem-nada. Todos esses homens e essas mulheres tiveram a proteção dos missionários, de padres, irmãos e freiras, na sua apostólica dedicação.
Por isso não cabe nenhuma malandragem jornalística ou política de misturar essas mulheres e esses homens santos, na sua vida pessoal e apostólica, com esses padres pedófilos. Esses últimos não representam a Igreja.
Quanto ao Papa Bento XVI, em que pese a sua concepção conservadora de mundo, ele é responsável por padres e bispos de todos os matizes ideológicos, daqueles que defendem ditaduras e donos de terras àqueles que são assassinados por defender os mais pobres, os sem-teto da Terra.
Ele representa o homem na sua beleza e na sua perversão. Representa cardeais comprometidos com o que há de mais sórdido na condição humana e o que há de mais atrasado e mais indigno no mundo da política e das finanças.
Mas, nunca é demais lembrar, que Bento XVI também representa milhões de homens e mulheres que acreditam na imortalidade da alma e que professam uma fé inquebrantável, capaz de realizar imensos sacrifícios para mantê-la viva e esperançosa.
Não considero plausível e nem correto do ponto de vista da ética atacar a Igreja nesse momento de dificuldades em que ela se encontra. Fica meio parecido com a hiena, que ri na sua animalidade, enquanto destroça os pedaços apodrecidos do animal putrefato.
Como se, ao redor, não tivesse vida sadia e abundante, ar fresco e rosas, além daquele odor e daquela cena dantesca. A Igreja permanecerá pelos séculos dos séculos, apesar desses vermes que devoraram crianças.
Acredito que Bento XVI saberá, nesse instante difícil para a sua Igreja, ser mais padre do que político. Creio que ele saberá distinguir o que é sadia exigência da sociedade, clamando punição aos padres pedófilos, e o que seja malandragem de quem quer golpear a Igreja e a sua história.
O velho Papa saberá que os cristãos e os seus amigos estão, aqui fora, apreensivos e solidários, exigindo que se separe o joio do trigo, mas que não se jogue o lixo para dentro dos muros. Porque “de boas intenções o inferno está cheio”.
*Moisés Diniz é autor do livro O Santo de Deus
e deputado estadual pelo PCdoB do Acre.
sábado, 3 de abril de 2010
domingo, 28 de março de 2010
Portanto, amo sem moderação!
Um dia ousei dizer que não me apaixonaria, mas não contava que conheceria alguém que me fizesse querer tomar outra dose desse sentimento.
Tentei convencê-lo que era desnecessário amar, porém fiz descobertas importantes.
Eu disse “Me traga os bons sentimentos do amor. Só quero a cereja desse bolo”. Talvez, tenha sido mais que um pedido e sim uma ordem.
Ele me respondeu com extrema firmeza: “Não há como trazer apenas o bom dele (amor). Os sentimentos bons do amor não se largam dos sentimentos adversos. Aqueles sentimentos que nos tornam tão humanos”.
Dias depois eu entendi a justificativa estranha que ele me deu.
No dia a dia fui aprendendo. O amor é aquilo que inclui a rotina, a saudade, as brigas bobas, o ciúme. Mas o amor inclui também os sentimentos mais prazerosos: o êxtase, o ápice e aquela sensação de não sentir nada depois de minutos intensos numa relação íntima e extasiante, mas esse “não sentir nada” é algo maravilhoso.
Não há como separar o amor de seus dissabores, mas são eles que o tornam tão extraordinário. Que o torna digno de adjetivos um pouco infantis. Adjetivos que são tão descritivos que chegam a ser explícitos.
Ah, e não me diga que não vale à pena se apaixonar por medo de se machucar. As coisas mais importantes que aprendemos na vida nos deram alguma queda.
Prova disso? Tá, quem nunca caiu da bicicleta sem rodinhas e depois aprendeu que se fizer de outro modo não caí?!
Do mesmo jeito é a estranha arte de amar. Às vezes nós caímos, nos machucamos, choramos e até sangramos, mas não quer dizer que por isso vamos deixar de tentar e tentar com aquela força de vontade típica de criança ao levantar e seguir adiante com a enorme vontade de conseguir.
Aprendi que os sabores e dissabores fazem parte. Se há reações adversas basta saber a dosagem que vamos manipular.
Portanto, amo sem moderação!
Nota: Nunca escrevi um texto nesse estilo, por isso, não precisa dar muita "moral" para as palavras acima.
E, antes que alguém diga algo: É apenas um texto que surgiu, que eu arrisquei deixar ultrapassar os meus arquivos do Word, as linhas do meu pensamento e sabe Deus porque quis publicar.
Tentei convencê-lo que era desnecessário amar, porém fiz descobertas importantes.
Eu disse “Me traga os bons sentimentos do amor. Só quero a cereja desse bolo”. Talvez, tenha sido mais que um pedido e sim uma ordem.
Ele me respondeu com extrema firmeza: “Não há como trazer apenas o bom dele (amor). Os sentimentos bons do amor não se largam dos sentimentos adversos. Aqueles sentimentos que nos tornam tão humanos”.
Dias depois eu entendi a justificativa estranha que ele me deu.
No dia a dia fui aprendendo. O amor é aquilo que inclui a rotina, a saudade, as brigas bobas, o ciúme. Mas o amor inclui também os sentimentos mais prazerosos: o êxtase, o ápice e aquela sensação de não sentir nada depois de minutos intensos numa relação íntima e extasiante, mas esse “não sentir nada” é algo maravilhoso.
Não há como separar o amor de seus dissabores, mas são eles que o tornam tão extraordinário. Que o torna digno de adjetivos um pouco infantis. Adjetivos que são tão descritivos que chegam a ser explícitos.
Ah, e não me diga que não vale à pena se apaixonar por medo de se machucar. As coisas mais importantes que aprendemos na vida nos deram alguma queda.
Prova disso? Tá, quem nunca caiu da bicicleta sem rodinhas e depois aprendeu que se fizer de outro modo não caí?!
Do mesmo jeito é a estranha arte de amar. Às vezes nós caímos, nos machucamos, choramos e até sangramos, mas não quer dizer que por isso vamos deixar de tentar e tentar com aquela força de vontade típica de criança ao levantar e seguir adiante com a enorme vontade de conseguir.
Aprendi que os sabores e dissabores fazem parte. Se há reações adversas basta saber a dosagem que vamos manipular.
Portanto, amo sem moderação!
Nota: Nunca escrevi um texto nesse estilo, por isso, não precisa dar muita "moral" para as palavras acima.
E, antes que alguém diga algo: É apenas um texto que surgiu, que eu arrisquei deixar ultrapassar os meus arquivos do Word, as linhas do meu pensamento e sabe Deus porque quis publicar.
sexta-feira, 26 de março de 2010
Dirceu e as tempestades
O ex-ministro José Dirceu esteve no Acre nesta quinta-feira, 25, para participar de uma extensa agenda política. Veio para tentar ‘dar um gás’ na candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
A chegada de Dirceu foi tão atribulada quanto os últimos anos de vida pública dele. O vôo que o trouxe ao Estado precisou enfrentar uma tempestade para conseguir pousar em Rio Branco.
Contudo, Dirceu encarou a tempestade com a mesma complacência que vem enfrentando o processo que culminou na cassação dele e no qual é acusado de participar do esquema do mensalão.
Durante uma entrevista o visitante ilustre disse que era inocente e ressaltou: “Sou inocente até que provem o contrário. No processo não há provas contra mim”.
Zé Dirceu diz que quando o processo do escândalo do mensalão for concluído ele vai pensar sobre o que vai fazer da vida política dele, por enquanto, o ex-ministro garante que tem uma vida que independe do fato de estar com cargo público.
O ex-ministro Dirceu afirma que esta trabalhando na consolidação da candidatura de Dilma Rousseff, mas fala sobre a candidatura num clima de “já ganhou”.
“Tenho certeza que a ministra Dilma será eleita”, aposta o ex-ministro.
Essa foi à quinta vez que Dirceu visitou o Acre.
A chegada de Dirceu foi tão atribulada quanto os últimos anos de vida pública dele. O vôo que o trouxe ao Estado precisou enfrentar uma tempestade para conseguir pousar em Rio Branco.
Contudo, Dirceu encarou a tempestade com a mesma complacência que vem enfrentando o processo que culminou na cassação dele e no qual é acusado de participar do esquema do mensalão.
Durante uma entrevista o visitante ilustre disse que era inocente e ressaltou: “Sou inocente até que provem o contrário. No processo não há provas contra mim”.
Zé Dirceu diz que quando o processo do escândalo do mensalão for concluído ele vai pensar sobre o que vai fazer da vida política dele, por enquanto, o ex-ministro garante que tem uma vida que independe do fato de estar com cargo público.
O ex-ministro Dirceu afirma que esta trabalhando na consolidação da candidatura de Dilma Rousseff, mas fala sobre a candidatura num clima de “já ganhou”.
“Tenho certeza que a ministra Dilma será eleita”, aposta o ex-ministro.
Essa foi à quinta vez que Dirceu visitou o Acre.
sábado, 20 de março de 2010
O daime, a polêmica e a minha revolta
O primeiro sentimento que tive ao ler as matérias das revistas Veja e Época sobre o Daime e o Caso Glauco, foi o de indignação.
Ambas marginalizaram o Daime e o colocaram com a doutrina como uma causadora de desordem e crimes absurdos.
Pois eu rebato as afirmações preconceituosa e extremamente equivocadas das revistas de circulação nacional.
No Acre, as pessoas que freqüentam o Santo Daime são normais, não são violentas e não saem por aí matando, roubando ou desordenando a paz.
Eu já tomei daime, creio que isso já tem uns dez anos posso afirmar que o chá não me fez sair por aí como uma louca ameaçando, matando ou criando o caos, pelo contrário, me lembro que na época fiquei chateada porque não senti nada de extraordinário a não ser uma paz nunca antes experimentada.
Me lembro que visitei a comunidade da Barquinha no dia que realizam uma festa em homenagem aos “erês”. Foi num dia de Natal, as pessoas confraternizavam, conversavam, riam e agradeciam. Naquele lugar não tinha espaço para a violência.
Por isso e por outros motivos que não explicitei aqui é que eu não admito ver o daime ser colocado como o culpado da barbárie cometida por um jovem que consumia drogas, sofria de distúrbios psíquicos e que planejou um ato desumano ao comprar uma arma de fogo com uma facilidade que não é colocada em discussão.
Se há culpados para a morte de Glauco e Raoni,além de Cadu, posso sugerir que seja culpado o Poder Público que não faz seu trabalho de fiscalizar e permite que armas de fogo sejam adquiradas com muita facilidade e ainda, que o narcotráfico seja um dos “ramos” empresariais mais rentáveis desse país.
Ambas marginalizaram o Daime e o colocaram com a doutrina como uma causadora de desordem e crimes absurdos.
Pois eu rebato as afirmações preconceituosa e extremamente equivocadas das revistas de circulação nacional.
No Acre, as pessoas que freqüentam o Santo Daime são normais, não são violentas e não saem por aí matando, roubando ou desordenando a paz.
Eu já tomei daime, creio que isso já tem uns dez anos posso afirmar que o chá não me fez sair por aí como uma louca ameaçando, matando ou criando o caos, pelo contrário, me lembro que na época fiquei chateada porque não senti nada de extraordinário a não ser uma paz nunca antes experimentada.
Me lembro que visitei a comunidade da Barquinha no dia que realizam uma festa em homenagem aos “erês”. Foi num dia de Natal, as pessoas confraternizavam, conversavam, riam e agradeciam. Naquele lugar não tinha espaço para a violência.
Por isso e por outros motivos que não explicitei aqui é que eu não admito ver o daime ser colocado como o culpado da barbárie cometida por um jovem que consumia drogas, sofria de distúrbios psíquicos e que planejou um ato desumano ao comprar uma arma de fogo com uma facilidade que não é colocada em discussão.
Se há culpados para a morte de Glauco e Raoni,além de Cadu, posso sugerir que seja culpado o Poder Público que não faz seu trabalho de fiscalizar e permite que armas de fogo sejam adquiradas com muita facilidade e ainda, que o narcotráfico seja um dos “ramos” empresariais mais rentáveis desse país.
segunda-feira, 15 de março de 2010
Dilma e Marina disputam palanque no Acre
Nayanne Santana, O Estado de São Paulo*
A eleição deste ano no Acre poderá ter um cenário diferenciado. Os petistas Tião Viana, senador e candidato ao governo do Estado, e Jorge Viana, candidato ao Senado, podem ter duas presidenciáveis no palanque: a candidata do partido, Dilma Rousseff, e também Marina Silva, do PV, legenda coligada ao PT no Estado.
O diretório regional do PT afirma que dará apoio irrestrito à candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e diz que não pode afirmar que Marina subirá no palanque dos irmãos Viana. Entretanto, a senadora, que é acreana, tem estreita relação de amizade com os petistas. O ex-governador Jorge Viana, porém, já declarou que seu voto é da ministra Dilma. Ele é um dos articuladores de campanha da petista na Região Norte.
Ao contrário dos outros Estados, no Acre o PV não terá candidatos ao governo, porque Marina tem apoio declarado à candidatura do senador petista. O PV também cogitou lançar o nome do deputado Henrique Afonso ao Senado, mas isso ainda não foi confirmado. Na incerteza, os filiados do PV garantem apoio à candidatura dos irmãos Viana.
*Matéria originalmente publicada no jornal O Estado de São Paulo no dia 11 de março
A eleição deste ano no Acre poderá ter um cenário diferenciado. Os petistas Tião Viana, senador e candidato ao governo do Estado, e Jorge Viana, candidato ao Senado, podem ter duas presidenciáveis no palanque: a candidata do partido, Dilma Rousseff, e também Marina Silva, do PV, legenda coligada ao PT no Estado.
O diretório regional do PT afirma que dará apoio irrestrito à candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e diz que não pode afirmar que Marina subirá no palanque dos irmãos Viana. Entretanto, a senadora, que é acreana, tem estreita relação de amizade com os petistas. O ex-governador Jorge Viana, porém, já declarou que seu voto é da ministra Dilma. Ele é um dos articuladores de campanha da petista na Região Norte.
Ao contrário dos outros Estados, no Acre o PV não terá candidatos ao governo, porque Marina tem apoio declarado à candidatura do senador petista. O PV também cogitou lançar o nome do deputado Henrique Afonso ao Senado, mas isso ainda não foi confirmado. Na incerteza, os filiados do PV garantem apoio à candidatura dos irmãos Viana.
*Matéria originalmente publicada no jornal O Estado de São Paulo no dia 11 de março
domingo, 21 de fevereiro de 2010
O Acre e a falta de opção
Amo meu Estado, mas reconheço as limitações dele.
O Acre é uma terra muito boa e o povo acreano (seja de nascimento ou de coração) é bem acolhedor. Mas viver aqui requer certo jogo de cintura para lidar com o tédio.
Vivo num Estado muito carente de opções culturais para os finais de semana. A dica aqui é sempre ter um bom filme ou livro para degustar aos finais de semana.
Não temos sequer uma sala de cinema decente com opções atualizadas de filmes em cartaz.
Não há uma casa de shows onde possamos ouvir e ver um bom show, sentados como pessoas civilizadas.
Os shows no Acre acontecem ainda em ginásios, estacionamentos de estádios. Nos aglomeramos num empurra-empurra insuportável e nada parece que funciona bem. Para piorar pagamos caro por uma sucessão de desconfortos.
Antes, tínhamos pelo menos os cafés como o Café do Theatro, que fechou as portas e até hoje eu não sei por quê.
Houve um tempo em que o Acre, principalmente Rio Branco, era mais cultural.
Eu era criança, mas me lembro do Casarão e dos almoços agradáveis que eu tive lá com a minha mãe. Lembro que o Kaxinawá também era um ambiente bem bacana.
Não sei como o governador do Estado, Arnóbio Marques, não se envergonha de anunciar que o Acre seria o melhor lugar da Amazônia para se viver em 2010.
Digo ao senhor governador que é fácil viver no Acre se o cidadão tem dinheiro suficiente para pegar um avião ou helicóptero e seguir para o Estado mais próximo para passar um final de semana ou feriado. Assim, fica muito fácil.
O Acre precisa evoluir muito em vários setores para que aqui, seja de fato, um bom lugar para viver e criar filhos.
Nos falta segurança, saúde de qualidade e acesso a cultura.
Talvez, a idéia de Binho seja nos deixar diante de computadores (com o Floresta Digital – que não funciona) e vivendo de uma ideologia furada e barata.
O Acre é uma terra muito boa e o povo acreano (seja de nascimento ou de coração) é bem acolhedor. Mas viver aqui requer certo jogo de cintura para lidar com o tédio.
Vivo num Estado muito carente de opções culturais para os finais de semana. A dica aqui é sempre ter um bom filme ou livro para degustar aos finais de semana.
Não temos sequer uma sala de cinema decente com opções atualizadas de filmes em cartaz.
Não há uma casa de shows onde possamos ouvir e ver um bom show, sentados como pessoas civilizadas.
Os shows no Acre acontecem ainda em ginásios, estacionamentos de estádios. Nos aglomeramos num empurra-empurra insuportável e nada parece que funciona bem. Para piorar pagamos caro por uma sucessão de desconfortos.
Antes, tínhamos pelo menos os cafés como o Café do Theatro, que fechou as portas e até hoje eu não sei por quê.
Houve um tempo em que o Acre, principalmente Rio Branco, era mais cultural.
Eu era criança, mas me lembro do Casarão e dos almoços agradáveis que eu tive lá com a minha mãe. Lembro que o Kaxinawá também era um ambiente bem bacana.
Não sei como o governador do Estado, Arnóbio Marques, não se envergonha de anunciar que o Acre seria o melhor lugar da Amazônia para se viver em 2010.
Digo ao senhor governador que é fácil viver no Acre se o cidadão tem dinheiro suficiente para pegar um avião ou helicóptero e seguir para o Estado mais próximo para passar um final de semana ou feriado. Assim, fica muito fácil.
O Acre precisa evoluir muito em vários setores para que aqui, seja de fato, um bom lugar para viver e criar filhos.
Nos falta segurança, saúde de qualidade e acesso a cultura.
Talvez, a idéia de Binho seja nos deixar diante de computadores (com o Floresta Digital – que não funciona) e vivendo de uma ideologia furada e barata.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Que país é esse?
Lá vou eu arrumar confusão com aqueles que são ativistas dos Direitos Humanos, mas não posso ficar impassível ao ler a notícia que republico logo abaixo.
Depois de ler isso me lembrei da música de Renato Russo: Que país é esse?
Em algumas gravações você ouve Renato perguntar: Que país é esse? E a platéia responde: É a porr# do Brasil. - Com o perdão do palavrão aqui publicado, é isso que eu respondo agora.
Colocar em liberdade o assassino de João Hélio é pisar no choque que o fato causou na sociedade brasileira. Trata-se de um desrespeito, uma afronta aos direitos que os cidadãos de bem têm.
Até quando vamos ter que suportar absurdos como esse? Em nosso país impera a hipocresia e a impunidade.
Brasil, terra de ninguém e terra sem lei?
Texto de Maria Mazzei, publicado no Jornal O Dia que eu extraí do Blog Brasil, um país de tolos
Revolta com a libertação de um assassino
A decisão da Justiça de colocar em liberdade e sob proteção do governo federal um dos assassinos do menino João Hélio revoltou parentes e a defesa do menino. Segundo o advogado que representa a família de João Hélio, Gilberto Pereira da Fonseca, os pais do menino que morreu aos 6 anos de idade estão inconformados. “Não há nada que possa ser feito. A decisão não é passível de recurso. Ela agride a todos, mas é a lei. A lei no Brasil é um incentivo à criminalidade”, disse o advogado.
Ezequiel Toledo Lima, 19 anos, como O DIA publicou ontem, voltou às ruas no dia 10 e foi incluído no Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte (PPCAAM), do governo federal, porque estaria recebendo ameaças de morte e poderá ser levado para fora do País. Ezequiel cumpriu três anos de medida socioeducativa no Instituto João Luiz Alves, na Ilha.
O menino João Hélio foi arrastado por sete quilômetros em ruas da Zona Norte, em 2007, no assalto do qual o jovem participou quando era menor de idade. “Ele (Ezequiel) cumpriu o tempo máximo. Tenho que cumprir o que a lei determina. A discussão disso não passa pelo Poder Judiciário, mas pela Casa Legislativa ”, disse o juiz da 2ª Vara da Infância e Juventude, Marcius da Costa Ferreira, que também determinou a inclusão da família de Ezequiel no PPCAAM, coordenado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos do governo federal.
Nos próximos dez dias, o destino da família de Ezequiel deverá ser decidido pela Justiça. Todos receberão outras identidades e condições para iniciar uma nova vida, que deverá ser em outro estado ou até em outro país. Nesse período, Ezequiel será acompanhando por profissionais da organização não-governamental Projeto Legal, que trabalha em parceria com o PPCAAM.
“Temos elementos suficientes que provam que ele correria risco de morte ao ser solto. Enquanto estava preso, ficava isolado dos outros internos. Depois de liberado, não podíamos lavar as mãos”, explicou o coordenador da ONG, o advogado Carlos Nicodemos. Avaliação do rapaz será feita por duas equipes formadas por advogados, assistentes sociais e psicólogos. Uma equipe é do Rio e a outra, de Brasília.
Depois de ler isso me lembrei da música de Renato Russo: Que país é esse?
Em algumas gravações você ouve Renato perguntar: Que país é esse? E a platéia responde: É a porr# do Brasil. - Com o perdão do palavrão aqui publicado, é isso que eu respondo agora.
Colocar em liberdade o assassino de João Hélio é pisar no choque que o fato causou na sociedade brasileira. Trata-se de um desrespeito, uma afronta aos direitos que os cidadãos de bem têm.
Até quando vamos ter que suportar absurdos como esse? Em nosso país impera a hipocresia e a impunidade.
Brasil, terra de ninguém e terra sem lei?
Texto de Maria Mazzei, publicado no Jornal O Dia que eu extraí do Blog Brasil, um país de tolos
Revolta com a libertação de um assassino
A decisão da Justiça de colocar em liberdade e sob proteção do governo federal um dos assassinos do menino João Hélio revoltou parentes e a defesa do menino. Segundo o advogado que representa a família de João Hélio, Gilberto Pereira da Fonseca, os pais do menino que morreu aos 6 anos de idade estão inconformados. “Não há nada que possa ser feito. A decisão não é passível de recurso. Ela agride a todos, mas é a lei. A lei no Brasil é um incentivo à criminalidade”, disse o advogado.
Ezequiel Toledo Lima, 19 anos, como O DIA publicou ontem, voltou às ruas no dia 10 e foi incluído no Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte (PPCAAM), do governo federal, porque estaria recebendo ameaças de morte e poderá ser levado para fora do País. Ezequiel cumpriu três anos de medida socioeducativa no Instituto João Luiz Alves, na Ilha.
O menino João Hélio foi arrastado por sete quilômetros em ruas da Zona Norte, em 2007, no assalto do qual o jovem participou quando era menor de idade. “Ele (Ezequiel) cumpriu o tempo máximo. Tenho que cumprir o que a lei determina. A discussão disso não passa pelo Poder Judiciário, mas pela Casa Legislativa ”, disse o juiz da 2ª Vara da Infância e Juventude, Marcius da Costa Ferreira, que também determinou a inclusão da família de Ezequiel no PPCAAM, coordenado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos do governo federal.
Nos próximos dez dias, o destino da família de Ezequiel deverá ser decidido pela Justiça. Todos receberão outras identidades e condições para iniciar uma nova vida, que deverá ser em outro estado ou até em outro país. Nesse período, Ezequiel será acompanhando por profissionais da organização não-governamental Projeto Legal, que trabalha em parceria com o PPCAAM.
“Temos elementos suficientes que provam que ele correria risco de morte ao ser solto. Enquanto estava preso, ficava isolado dos outros internos. Depois de liberado, não podíamos lavar as mãos”, explicou o coordenador da ONG, o advogado Carlos Nicodemos. Avaliação do rapaz será feita por duas equipes formadas por advogados, assistentes sociais e psicólogos. Uma equipe é do Rio e a outra, de Brasília.
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