segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O gosto azedo da mesmice

Diogo Mainardi*


"A asnice representada pelas ideias feitasé a ‘verdadeira imoralidade’, disse Flaubert.E acrescentou: ‘O diabo é só isso’. Se Flaubert está certo – e ele está –, o Brasil é o inferno. O verdadeiro inferno"


Ali Kamel é o Flaubert do lulismo. Flaubert? Gustave Flaubert? Ele mesmo. No Dicionário das Ideias Feitas, publicado postumamente como um adendo ao seu último romance, Bouvard e Pécuchet, Flaubert reuniu, em ordem alfabética, os lugares-comuns mais idiotas difundidos na Terceira República francesa. Ali Kamel, no Dicionário Lula, cumpriu uma tarefa semelhante. Com o rigor e com a imparcialidade de um dicionarista, ele sistematizou o pensamento de Lula, destrinchando os lugares-comuns por meio dos quais ele se comunica.


O bronco retratado e ridicularizado por Flaubert no Dicionário das Ideias Feitas orgulha-se de papagaiar platitudes sobre praticamente todos os assuntos, da pobreza à dor de dente, da imprensa à gramática. Lula é igual. Sobre a pobreza: "Somente quem passou fome sabe o que é a fome". Sobre a dor de dente: "Somente quem já teve dor de dente sabe o que é uma dor de dente". Sobre a imprensa: "Só tem notícia negativa". Sobre a gramática: "Daqui a pouco vou falar en passant. Para quem tomou posse falando ‘menas laranja’, está chique demais".


Na última semana, fazendo propaganda do ProUni, Lula repetiu a blague sobre o fato de falar "menas laranja". A blague sobre o fato de falar en passant também já foi repetida outras vezes nestes sete anos. Quantas vezes? Uma? Duas? Nada disso. De acordo com Ali Kamel, em seu prefácio, foram catorze vezes no período pesquisado para compor o Dicionário Lula. O repertório presidencial é minguado. E Lula repisa enfadonhamente os mesmos episódios, os mesmos comentários, as mesmas tiradas, conferindo um gosto azedo a esse fim de mandato – o gosto azedo de um governo que já caducou.


Há um aspecto desolador na obra de Ali Kamel: em 669 páginas de discursos e pronunciamentos, Lula mostra-se incapaz de articular uma única ideia minimamente elaborada sobre o Brasil e os brasileiros. Ao analisar o país, ele sempre recorre às imagens mais ordinárias com as quais somos caracterizados. "Deus fez duas coisas com o Brasil: deu uma natureza de beleza incomparável e um povo maravilhoso, ordeiro e generoso." Ou: "A beleza do Brasil está na nossa mistura, que produziu este povo de múltipla cor, alegre". As banalidades proferidas por Lula refletem os métodos primários e grosseiros empregados por ele para conduzir o governo. Pior ainda: elas refletem a mesquinhez de seu projeto político.


A asnice representada pelas ideias feitas é a "verdadeira imoralidade", disse Flaubert. E acrescentou: "O diabo é só isso". Se Flaubert está certo – e ele está –, o Brasil é o inferno. O verdadeiro inferno.



Fonte: Revista Veja

sábado, 29 de agosto de 2009

NYT: Marina Silva é 'criança da Amazônia' que abala o Brasil

Com o título "Uma criança da Amazônia que abalou a política de um País", o jornal New York Times publicou neste sábado um perfil da senadora Marina Silva (AC). O texto contrasta a infância e adolescência da ex-ministra do Meio Ambiente "no coração da Amazônia" com o "ícone do movimento ambientalista" que ela representa hoje.

O artigo também destaca que Marina "abalou a política brasileira" ao anunciar sua saída do Partido dos Trabalhadores (PT) e sua filiação ao Partido Verde (PV), no qual poderá ser candidata à Presidência em 2010, e que sua história, "de uma mulher humilde que superou a pobreza extrema e a doença para se tornar uma das maiores forças da política brasileira", poderia ser "uma inspiração para o povo brasileiro em sua busca por um presidente para substituir" Luiz Inácio Lula da Silva.

O jornal afirma que, "se esta mulher vencer, a história será feita", lembrando que o Brasil nunca teve uma presidente mulher e, ainda, com "origens negras".

O artigo do jornalista Alexei Barrionuevo narra a história de Marina, nascida na cidade de Bagaço, no interior do Acre, suas atividades como seringueira ao lado do pai e dos irmãos, e a hepatite que a atingiu seriamente quando tinha 16 anos e que a levou a buscar cuidados médicos na capital do Estado, Rio Branco.

O texto afirma, no entanto, que o passado de Marina com sérios problemas de saúde - além da hepatite, malária e contaminação com metais pesados -, poderia ser usado contra ela pelos adversários políticos em uma provável candidatura presidencial. O artigo destaca ainda o fato de que Marina perdeu a mãe com 11 anos de idade e duas irmãs mais novas por problemas de saúde relacionados a doenças como sarampo e malária.

O artigo conta também a juventude de Marina em Rio Branco, onde cursou a faculdade de História e começou a militar no movimento ambientalista da Amazônia ao lado do sindicalista Chico Mendes, assassinado em 1988.

Para o NY Times, sob o comando de Marina enquanto ministra do Meio Ambiente de Lula desde 2003, o Brasil "engendrou um plano nacional de combate ao desmatamento e criou reservas indígenas do tamanho do Texas". O artigo também cita dados que mostram a queda dos índices de desmatamento entre 2004 e 2007. Marina deixou o cargo de ministra em maio de 2008.

Texto: Redação Terra

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Meu Amor, Minha Flor, Minha Menina



Meu amor, minha flor, minha menina,
Solidão não cura com aspirina
Tanto que eu queria o teu amor

Vem me trazer calor, fervor, fervura
Me vestir do terno da ternura
Sexo também é bom negócio
O melhor da vida é isso e ócio
Isso e ócio

Minha cara, minha Carolina
A saudade ainda vai bater no teto
Até um canalha precisa de afeto
Dor não cura com penicilina

Meu amor, minha flor, minha menina
Tanto que eu queria o teu amor
Tanto amor em mim como um quebranto
Tanto amor em mim, em ti nem tanto

Minha cora, minha coralina
mais que um goiás de amor carrego
destino de violeiro cego
Há mais solidão no aeroporto
Que num quarto de hotel barato
Antes o atrito que o contrato

Telefone não basta ao desejo
O que mais invejo é o que não vejo
O céu é azul, o mar também
Se bem que o mar as vezes muda,

Não suporto livros de auto-ajuda
Vem me ajudar, me dá seu bem

Meu amor, minha flor, minha menina
Tanto que eu queria o teu amor
Tanto amor em mim como um quebranto
Tanto amor em mim, em ti nem tanto

TRE julgará Juarez Leitão



O prefeito de Feijó, Juarez Leitão (PT) é o próximo gestor municipal que será julgado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AC). O prefeito é acusado de ter cometido crime eleitoral e de ter cometido abuso econômico e político nas eleições do ano passado.

O TRE deve julgar o caso de Leitão no próximo mês. O relator do processo é o juiz Jair Facundes.

A ação contra o gestor de Feijó foi movida pelo candidato que concorreu à vaga na prefeitura mas, foi derrotado nas urnas, Raimundo Ferreira Pinheiro (PSDB), o "Dindim".

Dindim declarou em juízo que o seu adversário político teria cometido o crime de captação de sufrágio, ou seja, comprado voto de eleitores.

De acordo com denúncia ajuizada por Dindim, entre os benefícios oferecidos em troca de voto estavam à perfuração de poços artesianos, telhas, sacolões e tijolos. No processo contra Leitão foram anexadas fotografias, gravações e imagens referentes à suposta compra de votos. Anexados ao processo constam também depoimentos de eleitores que afirmam ter recebido benefícios em troca do voto.

O candidato derrotado nas urnas queixa-se na Justiça de outro fator que ocorreu em Feijó. Ele alega que houve prorrogação da votação na zona rural, na comunidade de Porto Rubim, faltando alguns minutos para as sete da noite a urna foi fechada, determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas Dindim e o PSDB ressaltam que isso deveria ter acontecido lacrada às 5 horas da tarde, quando encerrou o horário de votação em todo país.

Esse fator, apresentado pelo PSDB e por Dindim teria interferido no resultado da votação.

Na próxima semana, Juarez Leitão terá a oportunidade de apresentar sua defesa contra as acusações apresentadas pelo partido tucano e por Dindim.

Texto: Nayanne Santana
Foto: Odair Leal/Agência Aleac

Rajada de vento na quinta-feira chegou a 130 km/h


A chuva com vento forte que ocorreu em Rio Branco na quinta-feira, dia 27, foi classificada pelo doutor Alejandro Fonseca Duarte, do Departamento de Ciências da Natureza da Universidade Federal do Acre (Ufac), como tempestade local severa.

Segundo Alejandro Duarte, esse tipo de fenômeno não pode ser previsto pela meteorologia porque não é como um ciclone que toma forma aos poucos. Ele informa que as tempestades locais severas acontecem de maneira repentina, como esta de quinta-feira.

“Os registros da universidade informaram uma rajada de vento chegou a 135 quilômetros por hora, mas isso foi apenas uma rajada, não significa dizer que o vento foi constante nessa velocidade”, explicou Duarte.

O pesquisador revelou que esse vendaval foi menos intenso do que o que ocorreu no início deste mês, quando aconteceu uma tempestade acompanhada de granizo.

“Naquela vez que choveu granizo, a velocidade do vento chegou a 150 quilômetros por hora e causou estragos em parte da cidade”, contou.

Estragos

Os locais que apresentaram danos após a tempestade que ocorreu no final da tarde de anteontem, nesta sexta-feira, dia 28, estavam contabilizando o prejuízo. Segundo informações extraoficiais, o valor da estrutura metálica da empresa Auge Pneus, que foi destruída pelo vento, foi avaliado em aproximadamente R$ 150 mil.

Outra empresa que teve prejuízos e que até a manhã de ontem não haviam sido calculados foi a Vidro Acre, localizada na Isaura Parente. Com o forte vento, a cobertura da loja ficou toda comprometida e parte dela desabou. Na hora que parte do teto caiu e que os vidros das vitrines se quebraram, cerca de dez funcionários estavam na loja. Ninguém se feriu.

A vendedora Marta Bandeira contou que o barulho foi muito alto e o desabamento ocorreu rápido.

“Só deu tempo de sair correndo para não ser atingido, ficou todo mundo assustado”, disse a vendedora.

Na manhã de ontem, homens trabalhavam no local, retirando os ferros retorcidos que faziam parte da estrutura de cobertura da empresa. O dono da loja não foi encontrado pela reportagem para informar oi valor do prejuízo, mas um funcionário da empresa contratada para fazer a reforma no local disse que o valor da obra seria alto.

Mesmo com a parte da frente da loja em reforma, a vendedora contou que a empresa continuará atendendo os clientes no galpão, localizado no mesmo endereço.
Na periferia da capital, funcionários da Eletroacre trocavam a fiação elétrica que ficou comprometida após a chuva.
Texto: Nayanne Santana
Fotos: Debora Mangrich

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Chuva causa morte e danos materiais na cidade





A chuva que caiu na tarde de quinta-feira, dia 27, em Rio Branco ocasionou uma morte e vários danos materiais. O Corpo de Bombeiros informou que recebeu cerca de 30 chamadas relacionadas a danos causados pela chuva que iniciou por volta das 4 horas da tarde e durou cerca de meia hora.

Ocorrências foram registradas nos bairros Bosque, José Augusto, Vila Ivonete, Procon, Boa União e no centro da cidade.

No bairro Aeroporto Velho foi registrada a única morte ocasionada pela rajada de vento que acompanhou a chuva desta quinta-feira. O marceneiro Érisson Lima do Nascimento, 42 anos, seguia para casa de bicicleta quando foi atingido por um fio da rede elétrica. Ele morreu após receber uma descarga elétrica muito forte.

Danos materiais
Ao longo da Avenida Getúlio Vargas foram registradas várias ocorrências, a que apresentou maior dano material foi à queda da cobertura da empresa Auge Pneus, próxima ao clube do Juventus. A estrutura metálica que fazia parte da cobertura da empresa desabou em cima de dois veículos e feriu duas pessoas.

Na rua Rio Grande do Sul, duas árvores caíram, uma delas atingiu um veículo modelo Palio e destruiu a parte traseira do carro. Até a chegada do Corpo de Bombeiros ao local o proprietário do veículo não havia aparecido para ser informado sobre o dano.

Também foram registradas destelhamentos de residências e estabelecimentos comerciais. Fachada, outdoors e semáforos também apresentaram danos após a ventania.

Outro transtorno que os acreanos tiveram que enfrentar foi o trânsito caótico em bairros da região central da cidade. Com a queda de fios da rede elétrica os semáforos não funcionavam. Texto: Nayanne Santana


Fotos: Debora Mangrich

sábado, 22 de agosto de 2009

Deu na Veja: "Lula não fará seu sucessor"


Carlos Augusto Montenegro é um dos mais experientes analistas do cenário político nacional. Presidente do Ibope, empresa que virou sinônimo de pesquisa de opinião pública no Brasil, ele acompanhou com lupa todas as eleições realizadas no país desde a volta à democracia, em 1985.

Agora, faltando pouco mais de um ano para a sucessão presidencial, Montenegro faz uma análise que o consagrará se acertar. Se errar? Bem, dará às pessoas o direito de igualarem seu ofício às brumas da especulação. Em entrevista ao editor Alexandre Oltramari, Montenegro aposta que o governo, apesar da imensa popularidade do presidente Lula, não conseguirá fazer o sucessor – no caso, a ministra Dilma Rousseff. Também afirma que o PT está em processo de decomposição.

O que os acontecimentos da semana passada revelaram sobre o PT?

Que o partido deu um passo a mais na direção de seu fim. O PT passou vinte anos dizendo que era sério, que era ético, que trabalhava pelo Brasil de uma maneira diferente dos outros partidos. O mensalão minou todo o apelo que o PT havia acumulado em sua história. Ali acabou o diferencial. Ali acabou o charme. Todas as suas lideranças foram destruí-das. Estrelas como José Dirceu, Luiz Gushiken e Antonio Palocci se apagaram. Eu não diria que o partido está extinto, mas está caminhando para isso.

Mas por trás do apoio ao PMDB e ao senador Sarney não está exatamente um projeto de poder do PT?

É um projeto de poder do presidente Lula. O desempenho eleitoral do PT depois do mensalão foi um vexame. Em 2006, com exceção da Bahia, o partido só venceu em estados inexpressivos. Nas eleições municipais de 2008, entre as 100 maiores cidades, perdeu em quase todas. Lula sempre foi contra a reeleição e só resolveu disputá-la para tentar salvar o PT. Sua reeleição foi um plebiscito para decidir se deveria continuar governando mais quatro anos ou não. Mas tudo indica que agora ele não fará o sucessor justamente por causa da mesmice na qual o PT mergulhou.

Ao contrário do que muita gente acredita, o senhor aposta que Lula, mesmo com toda a popularidade, não conseguirá eleger o sucessor.

Uma coisa é ele participar diretamente de uma eleição. Outra, bem diferente, é tentar transferir popularidade a alguém. Sem o surgimento de novas lideranças no PT e com a derrocada de seus principais quadros, o presidente se empenhou em criar um candidato, que é a Dilma Rousseff. Mas isso ocorreu de maneira muito artificial. Ela nunca disputou uma eleição, não tem carisma, jogo de cintura nem simpatia. Aliás, carisma não se ensina. É intransferível. "Mãe do PAC", convenhamos, não é sequer uma boa sacada. As pessoas não entendem o que isso significa. Era melhor ter chamado a Dilma de "filha do Lula".

Porém já existem pesquisas que colocam Dilma Rousseff na casa dos 20% das intenções de voto.

A Dilma, em qualquer situação, teria 1% dos votos. Com o apoio de Lula, seu índice sobe para esse patamar já demonstrado pelas pesquisas, entre 15% e 20%. Esse talvez seja o teto dela. A transferência de votos ocorre apenas no eleitorado mais humilde. Mas isso não vai decidir a eleição. Foi-se o tempo em que um líder muito popular elegia um poste. Isso acontecia quando não havia reeleição. Os eleitores achavam que quatro anos era pouco e queriam mais. Aí votavam em quem o governante bem avaliado indicava, esperando mais quatro anos de sucesso.

Diante do quadro político que se desenha, quais são então as possibilidades dos candidatos anunciados até o momento?Faltando um ano para as eleições, o governador de São Paulo, José Serra, lidera as pesquisas. Ele tem cerca de 40% das intenções de voto. Em 1998, também faltando um ano para a eleição, o líder de então, Fernando Henrique Cardoso, ganhou. Em 2002, também um ano antes, Lula liderava – e venceu. O mesmo aconteceu em 2006. Isso, claro, não é uma regra, mas certamente uma tendência. Um candidato que foi deputado constituinte, senador, ministro duas vezes, prefeito da maior cidade do país e governador do maior colégio eleitoral é naturalmente favorito. Ele pode cair? Pode. Mas pode subir também.

A entrada em cena de Marina Silva, que deixou o PT para disputar a eleição presidencial pelo PV, altera o quadro sucessório?

A Marina é a pessoa cuja história pessoal mais se assemelha à do Lula. É humilde, foi agricultora, trabalhou como empregada doméstica, tem carisma, história política e já enfrentou as urnas. Além disso, já estava preocupada com o meio ambiente muito antes de o tema entrar na agenda política. Ela dificilmente ganha a eleição, mas tem força para mudar o cenário político. Ser mulher, carismática e petista histórica é sem dúvida mais um golpe na candidatura de Dilma.

Na hora de votar, o eleitor leva em consideração o perfil ético do candidato?
Uma pesquisa do Ibope constatou que 70% dos entrevistados admitem já ter cometido algum tipo de prática antiética e 75 % deles afirmaram que cometeriam algum tipo de corrupção política caso tivessem oportunidade. Isso, obviamente, acaba criando um certo grau de tolerância com o que se faz de errado. Talvez esteja aí uma explicação para o fato de alguns políticos do PT e outros personagens muito conhecidos ainda não terem sido definitivamente sepultados.