terça-feira, 17 de novembro de 2009

Ministério do Trabalho e Fenaj discutem emissão do registro de jornalista

Por Eduardo Neco/Redação Portal IMPRENSA

Após cinco meses do julgamento que tornou inconstitucional a obrigatoriedade do diploma para exercício do Jornalismo, foi publicado, na última sexta-feira (13), o acórdão da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que reúne os relatórios dos votos dos nove ministros que se manifestaram.

Em tese, o Ministério do Trabalho e Emprego está apto a voltar a conceder o registro profissional para funcionários de imprensa, procedimento que estava em suspensão, pois a pasta aguardava a publicação do acórdão do STF.

O Ministério alegava que sem a publicação da decisão, não era possível emitir registros profissionais, pois não saberia informar quais procedimentos deveriam ser adotados pelos jornalistas.
O presidente da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), Sérgio Murillo, disse ao Portal IMPRENSA que se reunirá com o ministro Carlos Lupi, na próxima terça-feira (23), para discutir como se dará a emissão do registro profissional.

Na avaliação de Murillo, o acórdão do STF apresenta "excessos e omissões, trechos obscuros" que necessitam de esclarecimento para que o Ministério se posicione a respeito da profissão. Murillo comentou que se a decisão do STF for considerada em sua totalidade, até mesmo o registro da profissão por parte do Ministério pode ser encarado como uma ofensa à Constituição e ao direito de liberdade de imprensa.

Murillo observa, ainda, que o Supremo julgou "além do que foi requisitado pelas próprias empresas" ao declarar inconstitucionalidade na eventual abertura de um Conselho Federal de Jornalistas. Para ele, o STF cometeu um equívoco ao antecipar-se à criação da entidade.

Ele não acredita que a publicação do acórdão influenciará os votos de deputados e senadores sobre as Propostas de Emendas Constitucionais que tramitam nas duas Casas que visam o restabelecimento da obrigatoriedade do diploma. "O Congresso não será irresponsável a ponto de permitir que essa situação se consolide", disse.

A Fenaj, por meio de seu advogado, João Roberto Pizza Fontes, entrará com embargo à decisão do Supremo para que partes do acórdão que permitem interpretações dúbias sejam esclarecidas.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A tevê que "emburrece"

Domingo é um dia tranquilo para mim. Normalmente eu fico em casa e assisto à televisão. Fico zapeando e vou dando uma olhada em um pouco de cada coisa.

Porém, nesse domingo eu fiquei pasma com o pouco conteúdo que as pessoas que estão merecendo os 15 minutos de fama têm.

Vejamos a lista de “celebridades sem cérebro” que tive que ver neste domingo.

Na Rede Globo apareceram Bruna Sufistinha, Debora Secco e Geisy Arruda e ainda tivemos as aspirantes a Menina Fantástica.

Nenhuma dessas criaturas disse absolutamente nada de relevante. Algo que fizesse qualquer ser colocar os neurônios para trabalharem.

A tal Bruna Sufistinha, que agora se apresenta como Raquel, disse que não vai esquecer seu período atuando como prostituta (?!).

Sinceramente, eu não esperava mesmo que ela esquecesse, também não me importo com o que ela fez durante esse tempo.

Debora Secco disse que interpretou Bruna/Raquel no cinema disse que gostou de ser interprete porque gostou de ler um personagem “tão rico”.

Pior que não acabamos por aí, logo depois apareceu à rainha do “Sim, estava de vestido curto, mas estou na moda” Geisy Arruda.

Embora, na minha opinião, essa moça seja apenas uma espertinha que está adorando os 15 minutinhos de fama ela sabe jogar - bem - com o barraco em que ela foi protagonista. Tanto que está adorando aparecer em jornais e revista.

Na matéria a moça do vestido curto vangloriava-se porque conseguiu um aplique de 70 centímetros grátis com um cabeleireiro, atendia a inúmeros telefonemas e enchia a boca para dizer que adora salto alto e afirmava categoricamente que até quando vai a padaria utiliza os sapatos de salto.

Para terminar ela foi ao shopping – nada mais Geisy Arruda – e muita gente parou para tirar foto com a estudante. Para quê vai servir essa foto, não me perguntem.

Tive pena da Renata Ceribelle que fez a reportagem com a Geisy.

Vendo aquelas cenas tristes para a repórter, me lembrei das palavras do professor e colega de redação Aldo Nascimento ao dirigir-se a mim certa vez depois que tive que ouvir lamentações de uma pessoa e fazer uma matéria sobre essa pessoa. Aldo me olhou e disse - Para quê você passou quatro anos na faculdade?

Se o Aldo perguntou isso a mim que sou repórter de um impresso no “oco do Brasil” imaginem o que pensava a pobre da Renata Ceribelle, jornalista formada na PUC de Campinas, quando fazia aquela matéria?!?

Bom, mas a tortura não encerrou por aí, embora, eu tivesse certeza que não poderia ficar pior, mas ficou.

Logo depois de Geisy – a que se acha – surgiram as candidatas a Menina Fantástica. Tratava-se de um bando de meninas visivelmente mimadas em que o sonho consistia em “ser famosa”, mas sem fazer esforço algum, incluindo esforço mental.

Elas falavam sobre passarelas, desfiles, flash e holofotes e eis que surge a pérola. Uma moça com o nome idêntico ao meu (a diferença entre o meu nome e o dela é apenas um N na grafia) Nayane Teixeira saiu com a pérola da noite. A mineira disse que sonhava em ser vista nos hot dogs da cidade. Pasmem: Hot Dogs na verdade eram outdoors.

Ah meu povo, não é por nada não, mas aí complica. Começo a suspeitar que vida inteligente na televisão seja algo cada vez mais raro e que as gerações futuras correm um sério risco intelectual.

Cada vez mais faz sentido a música da banda Titãs que diz: “A televisão me deixou burro, muito burro demais. E agora eu vivo dentro dessa jaula junto com os animais”.

sábado, 14 de novembro de 2009

Os dois anos da minha primeira filha

Minha primeira filha completa dois anos neste mês. Foi uma gestação complicada, um parto difícil. Três cirurgiões a analisavam, mas no final deu tudo certo. Saí da sala de cirurgia uma mãe realizada.

Não foi fácil escrever a minha monografia, mas fui feliz nas minhas escolhas. O orientador foi o professor Paulo Sérgio, as auxiliares de pesquisa foram a Letícia Mamed e a Márcia Nemetala, amiga inseparável que esteve presente nos momentos de maior angústia.

Dois anos depois revelo que particularmente me orgulho da minha obra, embora saiba que cometi excessos.

Para aqueles que não sabem meu tema foi algo que está no auge no Acre: O Esquadrão da Morte. Abordei o trabalho da assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça no combate ao Esquadrão da Morte no período de 1997 a 1999.

Foram meses de pesquisas em livros, clipping e muita leitura sobre como deve atuar uma assessoria. Teve a fase das entrevistas e a pior delas, a fase de colocar tudo de acordo com as normas da ABNT.

Tive dias de total desespero. Passava horas diante do computador, na minha concepção eu havia digitado um livro, mas quando eu olhava o computador informava que eu havia digitado duas laudas.

Algumas vezes eu achei que não conseguiria, chorava sozinha diante do computador, rezava, pedia a Deus que me desse uma luz.

Na reta final veio a luz que eu tanto pedi a Deus. Consegui entregar a monografia na data programada. Apresentei no tempo exigido e tirei nota 9,8.

Minha platéia me elogiou pelo desempenho, embora soubessem do meu medo.
Hoje, olho para esse livro de capa vermelha e letras douradas com certo orgulho.

Para quem lê esse texto isso pode parecer bobagem, mas que faz uma monografia sabe o que eu estou dizendo.

Aos meus amigos que estão nessa caminhada de parir uma monografia deixo um recado: Embora haja sofrimento, o parto recompensa. Vê o filho pronto em nossas mãos é um prêmio melhor do que qualquer nota e saber que nós o fizemos é impagável.

*Dedico essas palavras ao meu amigo Marcos Venícios que assim como eu sofre para colocar seu filho no mundo monográfico.

Kombi Branca

Esse clipe foi gravado na BR 364, no trecho de Sena Madureira.
Acredito que essa pode ser a nossa versão da "Stephany e seu Cross Fox".

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Pedro Pascoal é condenado a 20 anos por morte de Wilder Firmino

O dentista Pedro Pascoal Pinheiro Neto foi condenado a 20 anos de reclusão por ter matado o adolescente Wilder Oliveira Firmino em 3 de julho de 1996.

O réu cumpriu sete anos da pena, por isso poderá recorre da sentença em liberdade. O alvará de soltura foi expedido ainda na noite de ontem, e ele pode sair do Fórum Barão do Rio Branco direto para a casa dele.

Esse é o segundo processo em menos de uma semana a que Pedro Pascoal foi submetido. No início da semana, ele respondeu pela morte de Agílson Firmino, o Baiano, pai de Wílder. O julgamento durou mais de 10 horas.

Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, o adolescente de 15 anos foi retirado de sua residência na noite do dia 30 de junho de 1996 por três pessoas que se identificaram como policiais. Ele foi torturado, teve seu corpo banhado com ácido e sua coluna vertebral seccionada, sendo morto após disparos de arma de fogo.

Sob o comando do juiz de direito Leandro Leri Gross, o julgamento desta quinta-feira iniciou-se às 8horas no plenário do Tribunal do Júri, no Fórum Barão do Rio Branco, Centro da capital.

O também tenente da Polícia Militar do Acre, irmão do ex-deputado Hildebrando Pascoal, foi preso preventivamente há pouco mais de um mês por ordem do juiz Leandro Gross. Ele ficou preso no quartel da polícia.


Texto: Gilberto Lobo

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Baiano foi vítima dos mortos

Não quero aqui desmerecer nenhum advogado por sua atuação na defesa dos envolvidos no crime da motosserra. Tão pouco, quero dizer que fulano é melhor que beltrano, mas não posso ficar impassível depois de mais de 80 horas de participação no julgamento do crime da motosserra.

Em setembro, nos três dias que seguiram o julgamento de Hildebrando Pascoal, Adão Libório e Alex Barros foi possível ver que Agilson Firmino, o Baiano foi vítima de esquartejamento com requintes de crueldade, tendo em vista que ele teve braços, pernas e o pênis cortado, além dos olhos perfurados possivelmente por pregos.

No primeiro julgamento a motosserra virou terçado, os assassinos eram os mortos, o culpado pelo esquartejamento foi Hildebrando. Adão e Alex foram absolvidos.

No segundo julgamento em que os réus eram Aureliano Pascoal, Pedro Pascoal e Amaraldo Uchôa (todos absolvidos) mais uma vez foi possível ver coisas que só não me aterrorizavam mais porque aquela altura eu estava anestesiada, mas que choca qualquer cidadão.

O depoimento de Ana Claudia foi impressionante, ela deu nome aos bois, mas de nada adiantou. Os jurados não estavam convencidos de que os assassinos não eram aqueles sentados ali.

Baiano, segundo os jurados, foi morto por quem já morreu o único assassino vivo é Hildebrando.

Agora, depois disso tudo, queria que alguém me explicasse como um crime organizado é articulado por apenas um homem.

Se a família Pascoal tinha motivos para matar Baiano porque só Hildebrando o fez?
Se todos os outros foram absolvidos porque os jurados entenderam que o MPE não conseguiu apresentar provas concretas, por que apenas Hildebrando levou a culpa.

Talvez, porque crimes a mando de Hildebrando tenham mesmo virado tese de defesa ou seria porque os jurados decidiram “sair desse imprensado” e deixaram que o ser superior a todos nós julgue isso.

Enfim, um dia quem sabe nós teremos resposta para essas perguntas.

A moça, a saia, a faculdade

Texto: Flávio Gomes*

SÃO PAULO (é o fim) – Fiz faculdade entre 1982 e 1985. Faculdade de riquinho, FAAP. Não havia sinal de movimento estudantil ali. Na verdade, com o fim da ditadura, a eleição de Tancredo e a perspectiva de diretas em 1989, o movimento estudantil se enfraqueceu e, sendo bem sincero, foi sumindo aos poucos. Minha atividade mais próxima da subversão foi vender sanduíches naturais para arrecadar dinheiro para uma festa das Diretas.

Hoje, as entidades representativas dos estudantes servem para emitir carteirinhas para a turba pagar meia-entrada em shows e no cinema. Sem um inimigo claro, que no caso das gerações imediatamente anteriores à minha era o governo militar, ficamos sem ter do que reclamar. Porque, no fundo, por conta da politização desses movimentos todos, a questão educacional foi colocada de lado por muitos anos, e deixou de ser prioridade.

Já como repórter, cheguei a cobrir algumas confusões na USP na segunda metade dos anos 80. Sem querer simplificar demais, mas recorrendo ao que minha memória me permite lembrar, o tema central era o aumento do preço do bandejão nos refeitórios da universidade. Deu greve e tudo. Muito pouco. Ainda mais porque, como se sabe, boa parte dos que conseguem chegar à USP vêm de escolas particulares, e o preço do bandejão não chegava a afetar seriamente o orçamento de ninguém.

O caso dessa moça de minissaia da Uniban poderia ser um bom motivo para despertar algum tipo de reação na molecada. De repúdio aos que ofenderam a menina, de reflexão sobre os rumos da universidade, de protesto contra sua expulsão, de perplexidade com o recuo da reitoria por razões obviamente mercantis.

Reitoria… Era palavra respeitada, antigamente. Hoje, os reitores dessas espeluncas mal falam português. A transformação do ambiente universitário em quitandas que vendem diplomas é assustadora. E os estudantes são coniventes. Não exigem ensino de qualidade, compromisso com a educação, porra nenhuma. Querem se formar logo, se possível pagando pouco, e dane-se o mundo.

Fico espantado ao observar como pensa e age essa juventude urbana entre 20 e 25 anos. São fascistóides, hedonistas, individualistas, retardados ao cubo. Basta ver o perfil da menina da minissaia no Orkut. Uma completa debilóide, mas nada diferente, tenho certeza, de seus colegas de faculdade (vejam as “comunidades” às quais ela pertence; coisas como “Gosto de causar, e daí?”, “Sou loira sim, quem me aguenta?”, “Para de falar e me beija logo”, coisas do tipo). O que, evidentemente, não dá a ninguém o direito de fazer o que fizeram com ela. Até porque são todos iguais, idênticos, tontos, despreparados, sem noção.

Aí a Uniban expulsa a menina, dizendo que os alunos que a chamavam de “puta” e queriam bater na coitada estavam “defendendo o ambiente escolar”. Puta que pariu! Como é que pode? Como podem adultos, “educadores”, que teoricamente têm um pouco mais de neurônios em funcionamento, reduzirem a questão a isso? E criticarem a menina porque ela se veste assim ou assado, anda rebolando, “se insinua”?

Pior: muitos, mas muitos mesmo, alunos defenderam a expulsão. Acham que a menina é uma vagabunda que provoca os colegas. Bando de animais, intolerantes, sádicos, hostis, agressivos. Eu nunca deixaria um filho meu estudar numa universidade frequentada por esse tipo de gente e dirigida por cretinos do naipe dos que assinaram a expulsão e, depois, revogaram-na sem revelar o motivo — aquele que nunca será admitido, o prejuízo à imagem dessa porcaria de empresa, sim, empresa, e das mais lucrativas, porque chamar um negócio desses de “universidade” é desmoralizar a palavra.

O Brasil está fodido com essas gerações que vêm por aí. Um caso desses, que poderia trazer à tona discussões importantes sobre o comportamento dos jovens, suas angústias, seus rumos, resume-se ao tamanho da saia da moça e ao seu comportamento “inadequado”, seja lá o que for isso. A educação, neste país, tem sido negligenciada de forma criminosa há décadas. O governo poderia começar a limpar a área por essas fábricas de diploma, que surgem aos montes sem que ninguém se preocupe com o tipo de gente que está à frente delas.

O que se vê hoje, graças a essas faculdades privadas de esquina, sem história e princípios, é uma população cada vez maior de “nível superior” sem nível algum. Um desastre completo. Gente que não pensa, não argumenta, não lê, não raciocina coletivamente, se comporta como gado raivoso, passa o dia punhetando no Orkut e no MSN, escreve “aki”, “facu”, “xurras”, “naum”, “huahsuahsua”, um bando de tontos desperdiçando os melhores anos de suas vida com uma existência vazia, um vácuo intelectual, sob o olhar perplexo de gerações, como a minha, que um dia sonharam em fazer um mundo melhor e, definitivamente, não conseguiram.

Somos todos culpados, no fim. Me incluo.

*Flávio Gomes é Jornalista Esportivo